Vinho orgânico, natural, sustentável, biodinâmico e outros: conheça os 12 estilos alternativos e saiba quais deles devem virar tendência nos grandes mercados segundo nova pesquisa

Surfando a onda do consumo consciente, os vinhos “alternativos” ganharam força na indústria global da bebida. Mais popular entre eles, o vinho orgânico já representa cerca de 2,8% do mercado mundial; na França, 9% do território vinícola é cultivado organicamente, enquanto a venda destes rótulos cresceu anualmente uma média de 20% nos últimos 7 anos.

Mas até que ponto os consumidores entendem e se interessam por cada um dos estilos alternativos, e em que mercados eles têm potencial de crescimento?

Para responder a estas perguntas, a Wine Intelligence publicou em 2018 o “Global Wine SOLA Report: Sustainable, organic & lower alcohol wine opportunities” – estudo aprofundado que possibilitou a criação de um “índice de oportunidade” para 12 subcategorias dos alternativos, nos 11 principais mercados de vinho no mundo. Apesar de a primeira edição do índice ainda não incluir o Brasil e a China, o relatório traz um estudo de caso que identifica as subcategorias de maior potencial nos dois mercados emergentes. 

Nesta série de 3 artigos, publicaremos semanalmente as principais novidades e descobertas do relatório: logo abaixo, você vai conhecer as 12 subcategorias dos vinhos alternativos; no segundo artigo, você vai ficar por dentro de algumas das principais descobertas do relatório sobre o mercado global; para fechar a série, o foco será o mercado brasileiro e o potencial dos estilos alternativos entre os nossos consumidores.

Para não perder nenhum artigo da série, assine a nossa newsletter logo abaixo, e não deixe de seguir as nossas páginas no Facebook e no LinkedIn

 
 

Os estilos de vinhos alternativos

O grande desafio dos produtores dos SOLA (sustentáveis, orgânicos e de baixo teor alcoólico) é o mesmo de toda a indústria do vinho: esclarecer aos consumidores o que é o seu produto e no que ele se difere dos outros. Abaixo, explicamos 5 das 12 subcategorias de vinhos alternativos, e contextualizamos as outras 7:

Vinho de produção sustentável

Não há definição universal, mas é considerado aquele cuja produção gera baixo impacto ambiental – neutra em emissão de carbono, eficiente no uso da água, da energia e com redução de resíduos –, além de empregar o mínimo de produtos químicos, para preservar a vitalidade do solo.

 Vinícola Don Giovanni, em Pinto Bandeira (RS), segue práticas sustentáveis na produção dos seus espumantes  (crédito:  wine.com.br )

Vinícola Don Giovanni, em Pinto Bandeira (RS), segue práticas sustentáveis na produção dos seus espumantes
(crédito: wine.com.br)

Vinho de baixo teor alcoólico

O nome já deixa claro do que se trata. Para reduzir o teor alcóolico, produtores podem aplicar técnicas de extração do álcool, fazer a colheita precoce das uvas ainda em amadurecimento, além de utilizar estratégias como reduzir a folhagem das vinhas, adicionar enzimas e selecionar leveduras durante a vinificação.

 White Zinfadel é o clássico californiano de apenas 8% de teor alcoólico (crédito:  wine.com.br )

White Zinfadel é o clássico californiano de apenas 8% de teor alcoólico (crédito: wine.com.br)

Vinho orgânico

Apesar de as definições exatas variarem, é geralmente produzido a partir de uvas cultivadas sem o uso de pesticidas e outros materiais sintéticos, além seguirem as regras e regulamentos de algum organismo de certificação orgânica sobre os métodos de vinificação. Os tipos de vinho orgânico também variam – os vinhos 100% orgânicos, os vinhos orgânicos (95% dos ingredientes são de fontes orgânicas certificadas, mas podem conter certo limite de aditivos), e os vinhos produzidos a partir de uvas orgânicas (70% das uvas são de origem orgânica certificada).

 A vinícola Emiliana, do Vale de Casa Blanca (Chile), destaca-se pelo cultivo orgânico em seus vinhedos  (crédito:  adegadovinho.com.br ).

A vinícola Emiliana, do Vale de Casa Blanca (Chile), destaca-se pelo cultivo orgânico em seus vinhedos
(crédito: adegadovinho.com.br).

Vinho biodinâmico

Desde a antiguidade, o homem do campo busca associar os fenômenos celestes às práticas agrícolas, método estruturado pela primeira vez no trabalho do filósofo austríaco Rudolf Steiner – fundador da antroposofia ou “ciência espiritual”. A biodinâmica é uma extensão desta filosofia à viticultura. Não só os vinhedos são cultivados organicamente, como também recebem cuidados homeopáticos que estimulam a saúde da videira e evitam doenças. Exemplos são a obediência aos ciclos lunares e a prática de enterrar junto às vinhas chifres de vaca preenchidos com esterco fermentado. Coisa de produtores muito alternativos? Não mesmo: os celebrados Romanée-Conti, Leroy e Marcel Deiss, na França, são exemplos de adeptos.

 A Viña Koyle, no Alto Colchagua (Chile), busca ser referência no cultivo biodinâmico (crédito:  grandcru.com.br )

A Viña Koyle, no Alto Colchagua (Chile), busca ser referência no cultivo biodinâmico (crédito: grandcru.com.br)

Vinho natural, laranja ou fermentado com pele

Os naturais são cultivados organicamente (ou ainda biodinamicamente) e vinificados sem adicionar ou remover nada no processo. O resultado da fermentação praticamente livre de intervenções é um “vinho vivo” – integral e em plena transformação microbiológica. Já os laranjas ou fermentados com pele, são vinhos brancos produzidos da mesma forma que os tintos – a pele das uvas não são removidas para a fermentação, o que gera a tonalidade alaranjada e maior complexidade.

 A Piovino comercializa vinhos naturais italianos no Brasil, como este da vinícola La Stoppa, da Emília-Romanha (crédito:  piovino.com.br ).

A Piovino comercializa vinhos naturais italianos no Brasil, como este da vinícola La Stoppa, da Emília-Romanha (crédito: piovino.com.br).

 Países dos leste europeu, como a Hungria, são os grandes entusiastas dos vinhos laranjas  (crédito:  winelands.com.br ).

Países dos leste europeu, como a Hungria, são os grandes entusiastas dos vinhos laranjas
(crédito: winelands.com.br).

Outros alternativos

Alguns estilos de vinho analisados no estudo são mais autoexplicativos, como os neutros em emissão de carbono, os livres de conservantes, os livres de sulfitos, os veganos e os sem álcool. Há ainda os fair-trade (comércio justo), selo que garante que o vinho foi produzido de maneira socialmente justa, além dos environmentally friendly (ambientalmente amigáveis), que não têm definição exata e podem não ter certificação oficial, mas giram em torno do conceito “verde”.

No próximo artigo, vamos revelar algumas das principais descobertas do relatório SOLA sobre as oportunidades dos vinhos alternativos nos principais mercados do mundo!

Para não perder, assine a nossa newsletter logo abaixo e siga as nossas páginas no Facebook e no LinkedIn!

Para baixar uma amostra e saber mais sobre o “Global Wine SOLA Report: Sustainable, organic & lower alcohol wine opportunities”, acesse a página da Wine Intelligence.


Para continuar recebendo as notícias da Winext faça seu cadastro aqui.

Fontes:
- Relatório Global Wine SOLA Report: Sustainable, organic & lower alcohol wine opportunities
-
Revista WineIQ, Q2 2018, issue 8, da Wine Intelligence
-
Artigos Organic, natural, biodynamic... What next for wine? e Why produce organic? da BeverageDaily.com
- Livro A experiência do gosto: o mundo do vinho segundo Jorge Lucki

Foto capa: Maja Petric on Unsplash