Todos os anos a Unione Italiani Vini, associação de viticultores italianos, publica seu relatório Wine by Numbers, compêndio com as principais estatísticas de comercialização global de vinhos e espumantes (engarrafado e a granel). Antes que você se pergunte, o Brasil não está entre as principais potências do comércio mundial. Não por isso o relatório deixa de ser importante, pois nos ajuda a entender as dinâmicas desse mercado que nos afetam e certamente terão grande impacto no futuro.

Se tiver paciência, tempo e interesse, aqui você encontra o catatau completo.

E abaixo um resumo do que mais me chamou a atenção:

Sim, o mercado global cresce. O vinho talvez seja um dos produtos que melhor reflete o fenômeno da globalização. Basta imaginar uma prateleira de supermercado há 25 anos e hoje. Não é de se surpreender, portanto, que o mercado global tenha crescido 3.8% ao ano nos últimos 12 anos (2004-16), alcançando USD 32.7 bi. A respeito da globalização, recomendo o livro do mesmo Mike Veseth chamado Wine Wars;

Neste mesmo período, a categoria com maior expansão foram os espumantes com impressionantes 83% de crescimento, grande parte devido ao Prosecco boom. Por aqui, diga-se de passagem, o mercado de Prosecco arrefeceu dando lugar ao espumante nacional;

Três países respondem por mais da metade do comércio global. E quais são eles? França, Italia e Espanha. Entre os "hot countries" destaque para a Nova Zelândia - saltou de USD 223 milhões exportados em 2004 para USD 882 milhões em 2016;

Os EUA passaram a ser o maior mercado importador e consumidor do mundo, eclipsando a Inglaterra. Os americanos importam ao ano USD 4.1 bi de vinho, enquanto os ingleses USD 2,5 bi. E a China foi o grande destaque da última década. Imagina que as importações para o gigante asiático cresceram, ao ano, impressionantes 45%, ocupando o terceiro lugar no comércio mundial;

A esta altura, você deve estar se perguntando - e o Brasil? Pois é. Como temos pífia participação no comércio global (inferior a 1% segundo a OMC), com o vinho não haveria de ser diferente. Não figuramos entre os principais importadores ou exportadores do mundo. O último país da lista é a Dinamarca (12 colocada) com USD 436 milhões de importação, atrás de Rússia, Belgica e Suíça. E o Brasil fechou 2016 com USD 281 milhões de vinhos e espumantes importados. Ou seja, há muito espaço para avançarmos.

E o que dizer do futuro?

De acordo com Mike Veseth. wine economist, aqui vão algumas forças que devem impactar o comércio mundial nos próximos anos:

O Brexit deve balançar este mercado, aumentando preços no segundo principal importador de vinhos do mundo com previsão de queda de 20% nas importações. Ou seja, vai haver muito vinho por aí buscando taças em outras partes.

A Austrália esfriou nos últimos anos, mas já há sinal de retomada nas exportações. Suas exportações para China crescem a passos largos. Os aussies devem retomar sua posição de protagonista no mercado global;

E a China? esta talvez seja a maior dúvida. Se o wine boom persistir vai faltar videira para saciar a sede dos chineses. Mas já há alguns sinais de enfraquecimento deste mercado;

Mike Veseth acredita que o futuro do vinho é promissor, o que não significa que não enfrentaremos obstáculos pelo caminho. Não está claro se o consumo de bebidas alcoólicas continuará a crescer. E se o vinho será bem sucedido em se diferenciar  como um produto "mais saudável" frente aos seus principais concorrentes  - a cerveja e os destilados. Um dos fatores do crescimento do vinho na China foi justamente seus benefícios para a saúde.  

E, para quem chegou até aqui, separei os principais gráficos do Wine by Numbers:

 Comércio Global de Vinhos - em bi USD

Comércio Global de Vinhos - em bi USD

 Principais países importadores

Principais países importadores


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Fonte: Wine by Numbers 2017, Unione Italiana Vini

Foto capa: Marc-Olivier Jodoin | Unsplash